sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Pousa



Sem norte
Exagerada
Tonta
Desregrada
Fim de noite
Notívaga
Bate no canto
Do teto
Na pá
Do ventilador
Sem noite
Circula
Na boca
Do estômago
Rodopia e se machuca
A mariposa
Sem nota
Quebra asa
Arrebenta o corpo
Atraída
Suicida
Pela luz artificial

Que mata



Assim falou AlexSandroBambiL

sábado, 19 de dezembro de 2015

Esgotado

Esgotou
que ouço
que vi
Pra baixo da pia,
Na água do banho
Lavagem de roupa suja
Esgoto a paciência
O suspiro de contenção
Esgota tudo
É a gota
Pichando a galeria
Com ratos sujos
Com rotos panos
Com rostos débeis
Baratas cegas
Me ralo
Me fossa

Me esgoto!

AlexSandroBambiL

domingo, 21 de junho de 2015

21 de junho [2]

Resolverá. Pouco sonoro. Muito sombrio.
Igual meu urutau,
Abrirá, antes de acender a luz
A porta dos versos, das notas menores, dos pés frios,
Do som azul escuro.
Penumbra de quarto.
Sons lentos, passos arrastos, chás mornos, chamas laranjas, soluços descalços,

Cafés

Recém

Passados

Espelho embaçado, fumaças cansadas,     Constipação...
Espero o ano todo.
Sol que não aquece
Vento navalha
Luzinha morrendo
Lápis desapontado

Morreu, semana passada, de calor intenso e fome matada os versos sonsos
Do último 21 de junho
Morreram em agonia de caneta
Em agoniza de poeta
Em dedos rijos de pestana
Seguro com duas mãos o café dono da fumaça...Olho de coruja e vidro
É barroco
Claro e escuro
Cíclico escondido no casaco cheiro de mofo
Decaído solstício num espaço com fogo.

Nem rosa nem resposta.
Diferente igual todos os ciclos.
Eu deixo o frio vibrar devagar, tudo manso.
Eu deixo os móveis encolherem e estalar.
Escolherem partir ou ficar.
Prendo o ar gélido em respiração lenta.
Hirto...
Sem palheta.
Sem calor
Sem sentido
Sem suor.

AlexSandroBambiL

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DO POR QUE EU CURTO O BÁTIMA


Perdão mais uma vez pela formatação, caros (as) leitores (as), o texto foi originalmente publicado no Faceburguer depois trazido para cá.



Encontraram um estojo do Batman perdido na escola onde trabalho. A “tia” inspetora chegou até a sala dos professores e perguntou:

- Alguém sabe de que aluno é este estojo?
Feliz ao saber que alguém havia encontrado meu estojo, levantei a mão e disse:
-É meu!
Meus colegas riram e alguns alunos depois de ver meu sensacional estojo do homem morcego perguntavam:
-Mas é seu mesmo?
Além do estojo, tenho um bóton com o símbolo deste super-herói na correia da minha guitarra e na verdade, apesar de alguns pensarem que sou um daqueles fãs que têm a primeira revista em quadrinhos num baú lacrado, que tem um pôster enorme no quarto, que acompanha a todos os filmes e tem uma vasta coleção de bonecos, sou, na verdade, um admirador do Sr. Bruce Wayne.
Admiro a humanidade do Cavaleiro das Trevas e acabo de certa forma me identificando com esta humanidade latente por trás do mito.
As inúteis notícias nos sites de fofoca e revistas destinadas a este fim (bizarro) revelam esta busca humana pela fraqueza, pela humanidade, pelo lugar comum a todos os seres humanos de onde saíram estes seres famosos. Parece haver uma constante busca por saber o que torna alguém famoso. Por que o fascínio em ver seu ídolo jantando ou num affair com qualquer outro ser mortal? O que há de tão fascinante em algum ator tomando açaí e passeando na orla de Copacabana? Parece haver na maioria de nós o desejo de ser mais do que a condição humana permite, mas ao mesmo tempo, há também o desejo de encontrar um defeito, a polêmica, a fraqueza, a Kryptonita de quem aparentemente se achegou a um lugar superior nesta existência terrena e por conta do conceito que tem de si ou do conceito que o fizeram acreditar acerca de si, se tornou famoso, rico, tem a família perfeita, não erra, não fica careca e barrigudo, não recebe cartas de cobranças, não tem sua saúde abalada por problemas na família, não peca...
Admiro Batman e seu alter ego por não ser um super-herói que foi geneticamente modificado, não veio de outro planeta, não foi picado por nenhum inseto geneticamente modificado, não é filho de deuses, não invoca ajuda dos mortos, não tem poder sobre nenhum elemento da natureza, voa mas voa como uma galinha! Não tem sequer um “super raio que o parta”... Ele é (como diria Nietzsche) “humano, demasiado humano” (Nietzsche que foi o primeiro a criar o termo “Super Homem” - mas isso aí dá outro texto, outro estudo, outra treta filosófica e não quero parecer pedante nem prolixo apesar de... enfim... é a mania academicista de justificar tudo, caros leitores).
Ao contrário da maioria dos super-heróis, na face do homem morcego não cabe uma piada. É um gentleman casmurro. Introspecto. Bem falante de poucas palavras, preocupado com os desamparados, polido, diplomático. É um herói antes de tudo sobre seus próprios medos e exatamente por isso escolheu a imagem de um morcego - a imagem que tanto o atormentava em sua infância.
Entretanto, só nós e Alfred sabemos quão infeliz é o homem que salva Gotham de suas mazelas: Luta muito bem contra vilões mas é um romântico mal resolvido, possui motos, carros, engenhocas caríssimas e muita grana mas vive só; Combate vilões que afrontam a linha tênue entre ser herói e ser humano; tem máscara, capa, habilidades, não usa arma, resolve tudo na força de seu braço, tem um cinto de super-herói, fama, força, coragem, respeito... mas Batman não poderia sequer entrar na escola do Professor Charles Xavier. Não está entre os mais admirados das crianças, não está entre os que vestem vermelho e azul, não foi convidado para estar entre os vingadores... O homem morcego está o tempo todo batendo com a cara no inegável fato de que é humano! Que tem sono, cansaço... Oh Batman! O que seria de um filme com você tendo que parar aquele carrão para “tirar uma água do joelho!”(?)
Mas ainda assim "humano, demasiado humano" ele segue sendo herói. E Gotham confia e precisa dele.
E pensar que aquele que teve motivos de se sentir completamente superior à condição humana por ser filho de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus (Filipenses 2:6). Quis ser gente assim como gente deve ser.
Descobri que não sou super nada! Posso até ter uma capa, usar todas as máscaras que usei e que vez em quando inda tenho de reserva. A capa do super-cristão, super-pai, super-profissional, super qualquer coisa que eu quiser. Mas o que me dá força e poder, o que me dá resistência e coragem, o que me dá sustento além das forças que se acabam no final do expediente é a graça que foi liberada numa cruz. Não para que eu fosse mais que ninguém. Não para me encher de “autoridade” acima de ninguém por ser “superespritual”. Mas graça de ser gente. Ser humano que erra e acerta; que vence e perde, que olha a queda alheia com os olhos de quem se espatifou no mesmo chão, que tem bom humor e rabugice, que quando perde sabe que isso faz parte dessa vida e que tudo não se resolve no próximo capítulo só porque eu teria o poder de me reconstituir.
Graça que me faz olhar pra minha vida e ao invés de perguntar “o que eu fiz?” me faz perguntar: “O que pode fazer por mim?” – e Ele pode... sempre pode... e não se assusta quando enxerga minha podridão. Ele sabe que por trás das minhas máscaras caídas ao chão, há um espírito pronto a ser tratado todos os dias. Minha capa não O impressiona, meus atos de herói e de bandido também não, pois quem se despojou de toda sua glória e se fez homem sabe que ainda aqui em mim, este espírito habita num corpo humano...demasiado humano. Sem nervos de aço nem sem ossos de adamantium.
Santa humanidade, Batman!



AlexSandroBambiL

domingo, 11 de maio de 2014

Tudo que eu poço

No fundo, 
É superficial tudo o que eu fosso, 
No fundo não posso.
No fundo, tudo o que faço
É anacrônico e remoto
Boçal esboço 
Mal escrito e bem escroto
Do que deveria ser 
E não foice.
No fundo, 
Logo ali é lodo, 
Tudo é mais limbo,
Mais escasso
No fundo 
É sem água e maremoto 
O que falo é esgoto, 
Tudo canhoto, 
Roldana rota
De rota torta
Derrota certa
Superficialmente profundo
Humor de mofo.
É fossa!
E tosco
É soco 
No olho da cara
Na boca do estômago
Pro fundo.

AlexSandroBambiL

terça-feira, 11 de março de 2014

 Entre as ondas
Levanto os meus olhos pra o céu
E suplico vem Cristo Jesus
Pilotar meu batel


domingo, 9 de março de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Coa fé expresso


Sobre o bar e a igreja

Um dia eu fui na igreja. Tempos depois, fui no boteco.
No boteco, me cumprimentaram, alguns mais efusivos até me abraçaram, me deixando meio sem-graça. Na igreja, um cara na porta me gritou um PAZDOSENHOR com um olhar pra minha roupa que me fez dar uns dois passos pra trás, com medo daquilo ser um tipo de repreensão.
Na igreja, logo começaram a falar sobre o meu jeito de vestir, as correntes que eu usava e o comprimento do meu cabelo; anos depois, no boteco, aceitaram-me como sou – minha barba desleixada, minha calça meio-suja e minha camiseta com cara de velha.
No boteco, não criaram nenhum caso por eu não beber álcool, me deixando à vontade pra consumir o que eu quisesse, embora sempre me oferecessem alguma coisa; na igreja fizeram cara feia pra quantidade de refrigerante que eu bebia.
Na igreja, não aceitavam a minha namorada que acreditava em Deus sem ir muito em cultos ou missas; no boteco, aceitaram e curtiram minha namorada formada em teologia.
No boteco, se interessaram e perguntaram sobre minhas crenças, meu relacionamento com Deus, e no que isso refletia na minha vida; na igreja, me passaram uma meia dúzia de papéis que eu deveria fazer, com uma máscara específica para cada um: como agir lá dentro, como agir com os incrédulos, como agir durante o evangelismo, e assim por diante.
Por isso eu falo tanto de igreja – eu encontrei o que eu esperava na igreja, com amigos dentro de um boteco: com os que eu já conhecia, com os que eu conheci lá, e com os que só vi uma ou duas vezes; eles me cumprimentam com uma sinceridade muito maior do que os porteiros voluntários da igreja. Amigos do boteco conversaram comigo quando eu e a Joyce quase terminamos, e ofereceram o ombro e os ouvidos – além de pagar a conta. Amigos da igreja ficaram calados, e disseram que a vida é assim, quando terminei com a minha ex, mal esperando duas semanas para convidá-la para sair.
Claro, a igreja não é perfeita, é formada por homens, pessoas falhas. Mas pessoas que foram ensinadas a ignorar suas falhas, a escondê-las e a ensinar aos outros que façam o mesmo, em nome de algo que chamam de comunhão. Acham que têm comunhão, mas conhecem-na apenas de ouvir falar. A comunhão não é algo que se busca, é algo que se tem.
Sinto-me como Paulo, que perseguia a Igreja em nome de uma fé vazia, aparente, que está no seguir ordens – não matei ninguém, ao menos não fisicamente. E, graças aos meus companheiros de bar que hoje consigo olhar para mim mesmo no espelho, ver as minhas falhas e não entrar em depressão ou cair no choro como muitas vezes o fiz, depois de aconselhar jovens a fazer algo que eu não era capaz – e exigir deles que o fizessem.
Publicado por Abigobaldo, 21/12/2011

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Tocando

Hoje eu quis te bater com a minha guitarra.
E olha que eu amo a minha guitarra de verdade.
Ela não tem adesivos,
Nem aquela cara de moleque que algumas Stratos têm.
É uma Les Paul.
Não tem ponte móvel.
Não tem pontas.
É encorpada, pesada.
Cheia de curvas...
É uma lady de guitarra.
Gosto de guitarras,
E pelo jeito você tem gostado também.
Sou músico
Sou ator
E o melhor papel que interpretei até então
Foi o de palhaço.
Não digo bater com violência.
Não sou disso, você sabe.
Com humor,
Mas não com sarcasmo.
Não para te ferir.
Era mesmo pra ferir tua memória,
Tua lembrança,
O que não pude ser,
Não fazer base pro teu solo,
Te desamplificar.
Hoje eu quis te bater com a minha guitarra.
E olha que eu a amo de verdade.

(ASB)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


Fica tudo diferente quando a pausa aperta (ASB)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Apartem os sintos muito (ASB)

DES
perto suficiente
pra continuar
L  O  N  G  E
(ASB)

(Me martele seu julgamento quando sua vida for um exemplo!)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

In Vitro

Ser muito experiente
Fazer tanto experimento
Te deixa assim
Sem esperança
Expectador
Mas gosto de ter
Mais espaço.
De ler
Mais Neruda,
Mais Espanca.
Inexperiência
Me deixou esperando
Mas quando a inocência
Descolou da esperteza
Muito experimento
Deixou insipiente
Imprudente
Inodoro
Incolor
Insípido
Amor in vitro.