quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Paratudo



A calçada de concreto atrai folhas para o meio-fio, para a fenda, já amareladas, em um vento azulado, gentileza bruta.
Entre verdes e cinzas, raízes e troncos, casca, tosca, troncos bem serrados. Dor de cabeça. 
Passei pelo bichano no chão, tomando sol, cumprindo a vida, cumprindo o propósito, eu também queria ficar enxergando o vermelho das pálpebras. De olhos bem cerrados.
Portas que trovejam atrás de mim, é só clarão, um lampejo. Não assusta mais. Porta afora. É chuva de cerrado. É sina de ipê florir. É casca que se criou para proteger a seiva, proteger a essência, espalhar sementes mesmo após incêndio, mesmo que seja florir com o tronco nu, cicatriz de queimadura, no meio da paisagem. Parto-me. Paratudo.
Cerrado ao meio.



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