Sob cinza da serra, a terra respira
e, tímido, um ipê amarelo
abriga as raras.
Também eu estou cansado.
Meus dias passaram/pesaram,
arderam iluminando a paisagem
em noite sem lua cheia
entre o pão conquistado, as portas fechadas,
o peso das mãos ao entardecer
o peso das mãos ao entardecer
o céu se põe vermelho
e o silêncio do lado de fora,
que acompanha o homem
quando finalmente repousa.
e o silêncio do lado de fora,
que acompanha o homem
quando finalmente repousa.
E, contudo, esta manhã,
quando o sol tocou os galhos nus,
lembrei-me.
Não como eras ontem,
mas como eras naquele frio
em que nossos olhos inda desconheciam
a crueldade das despedidas.
Havia alguma coisa
que eu não soube nomear.
Talvez fosse a própria juventude,
talvez fosse Deus passando
para ensinar-me que a beleza
também pode desaparecer.
Eu poderia ter ficado.
E talvez tivesse descoberto,
aquilo que agora procuro
em tantos dias que não me pertencem.
O tempo não devolve portas.
São pés de pele fina correndo no cerrado.
Prefiro guardar onde o tempo não alcança:
naquela região secreta da alma
onde os ausentes
e os impossíveis
ainda conversam conosco.
o ipê amarelo voltará.
As árvores florescerão
sem saber que envelheci.
E talvez eu também floresça,
de outra maneira.
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