domingo, 23 de agosto de 2026

Domingo



Sem alarde

O domingo se esvai 

Vagarosamente

Os sons, longínquos, morrem

Abafam na tarde que se despede.

O sol se inclinando

Entortando as formas 

Nas ruas cansadas

Tua última luz se despede

Sem pressa num olhar desfocando

As folhas da mangueira.

O pássaro distante e sozinho.

Ainda há doce no paladar.

O sol vai embora.

Eu anoiteço.

Nenhuma tarde retorna

Há dias que terminam

Sem final.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Atraso



Me adianta nada, 

maldizer o agosto que crepita

a pele que se irrita

se asfalto ou se rio

inverno que não faz frio.


Me adianta nada

Conversa de rádio no trânsito

espera de semáforo

não transito

pedra de Sísifo.


Me adianta nada

chutar a pedrinha para bem longe

a tampa do dedão que esfolo

aos berros 

com o que não controlo.