Não me dói que olhes os pássaros.
Os pássaros não me assustam mais.
Dói é que voltes
e queiras que eu me convença
de que nunca estiveste longe.
Não é ciúme que mata.
É a mentira.
Essa lâmina
escondida entredentes
e que tantas por vezes chamaste de silêncio,
devaneio meu.
Comparado.
medido pelos olhos
de quem se escolheu
para ser casa.
régua de passados,
pesaste meu corpo,
meus gestos,
tão presentes,
como se eu tivesse vindo
para disputar com fantasmas
ricos, grandiosos, fortes.
E eu,
que brilhava,
comecei a olhar para mim
com os teus olhos.
anoiteci. adoeci.
Já não sabia se era inteligente,
se era desejável,
se era bastante, se era belo
se havia coisa alguma
que pudesse fazer qualquer alguém ficar.
Tornei-me pequeno
dentro do que devia me engrandecer.
Portas entreabertas,
vãos sem explicação,
silêncios cheios de vidas.
vivos cheios de trancas.
apenas que não me fizeste sentir
como coisa provisória.
E eu fui,
muitas vezes substituível.
Fui abraço,
mas me senti comparação.
Fui presença,
mas me senti entremeio.
Não quero vencer.
Não quero competir.
Não quero arrancar verdades
de uma boca que deveria oferecê-las.
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