terça-feira, 21 de julho de 2026

21 de julho 2026




Há invernos que não chegam pelo frio,
seca os caminhos
empurra sons para tão longe

Som azulado
É quando a tarde perde o calor
e o céu veste um silêncio
que não houve mais ninguém.

Agosto ainda nem nasceu,
mas já há pés descalços na poeira
que anunciam sua chegada.
Floradas dos ipês,
Quando o serrado perde suas cores.

Nesse inverno um velho baú rangeu por dentro da memória.

Guarda cartas já sem perfume,
risos que sobreviveram a tantos invernos,
e uma doçura tão rara
que teve que medir a própria doçura
para continuar existindo.

o inverno continuou frio,
o vento continuou seco,
o som continuou azulado, 

distante pelo resfriado e pelas orelhas frias.

Mas alguma coisa voltou a respirar.

Como uma canção que há muito não se ouve e de repente toca no rádio.

Existem ternuras

que não dependem de açúcar.




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