quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Quando ela se vai


Quando acordei ela não estava aqui.
Morana partiu da mesma forma que chegou: soturna, sem aviso, sem cerimônia.
Com ela se foi a prostração da alma.
Levou consigo horas de mortificação, de desalento, horas a fio que não terei volta.
Levou sua amiga de gadanha em punho.
Olho para a tela preta e não a encontro.
Procuro na gaveta desarrumada e ali o reflexo da desordem desses dias.
Aslan me retoma, me arruma a bússola, os planos engavetados têm novamente cheiro de novo.
Na porta, retrato, duas flores que cintilam esperança, dois doces de se tirar o amargo.
Café da manhã com gosto de comida, sou inteiro outra vez, faça da espera, caminhada, outra vez.
Descanso com recompensa.
Vida a cada toque do sol.
É no sorriso de duas flores que a vida vibra pisando duro no chão, o que tenho é raro!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Quando ela chega




Quando Morana chega eu nem sempre vejo, mas sua presença é inconfundível.
Ela chega vestida de todas as cores, mas todas de uma só vez, convergindo no mais pálido preto.
Morana devagar, no canto do meu olho, repousou sobre a janela e eu fingi que não a via.
Li um livro, liguei os alarmes, fechei a TV, desliguei a janela mas ela vem se eu quiser ou não; fiz um café, li uma música, me fiz de ocupado - num dia de chuva escorrendo com preguiça, num dia de sol e flor lilás, sem avisar, ela vem - e quando ela voltou fazia calor.
Quando Morana chega úmida e lenta, me inunda cada poro, toma cada cor para si, no piso de calor respiro dolorido um sangue pálido, não tenho nem porta para bater e ser atendido, nem para bater atrás de mim, apenas uma porta que me bate na cara. O piso do calor vira constipação e sons azulados longínquos.
Quando ela chega, senta-se no canto do quarto, sempre muda, sempre dona do ar, da razão, da emoção. Mastigo um remédio amargo e me deito com gosto de areia na garganta, 15 felicidades de plástico numa cartela metálica.
Quando ela chega não fala e deixa, sob sua mira, qualquer palavra dentro do travesseiro. Quando Morana dorme comigo, a cama não é repouso, as costas não saem do lugar, os olhos escorrem sem esforço, sem cerimônia... quando ela dorme comigo, lençol é mortalha, sono é batalha, travesseiro é navalha. Nem ser, nem vivo.
Quando ela chega faz dos dias vadios, vazios, baldios. Ela sabe que estou quase pronto para viver sem comprimido e pra isso há repulsa, choro, preces, paredes, ódio e saliva. Às vezes ela vem só. Às vezes ela vem de vestido e gadanha. Às vezes vem só para fazer o melhor banquete ficar com gosto de isopor, às vezes só pra me fazer atrasar.
Minha autoestima, minha dignidade, minha alegria, cabem na palma da minha mão, mas não passam pela porta do quarto.
Ela me ameaça desabar o teto. Morana me pegou pela mão de noite, como uma mãe gentil, me conduziu, vi as águas turvas de cima, ela queria me à deriva quando de repente vi, no som surdo das águas batendo nas colunas, na face imunda das águas, duas flores que cintilam, dois doces de tirar amargo. E ela se foi, prometendo voltar, olhando de longe eu voltar com duas flores no peito que cintilavam esperança nos olhos.
Enquanto isso, luto para que luto seja apenas um verbo, sem saudade dela.



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Não há perdão


Não há perdão
Para o amor insólito
Cotidiano insípido
Desgraçado cálido
Raiva de ímpeto
Não há perdão
Para o olhar pérfido
Para o adúltero de coração
Para o infeliz do crime
Para o sangue na mão
Não há perdão
Pra quem só deixa dúvida
Pro amor íngreme
Pro coração trôpego
Pra quem faz de seu amor último
Dor de sonâmbulo
Conversa de bêbado
Chega a ser física
A dor da traída
De um amor líquido
De um violão sem música
De um cálice pútrido
Não há perdão
Pra quem deixou
Um rastro fétido
De feridas vívidas
De morte sem antídoto
Não há perdão
Para um ser de miséria
Para a vergonha pública


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

(res) Peito de aço

Ninguém respeita 
Quem não vai embora no primeiro grito.
Porque nunca ameacei te atirar
Nem tirar o corpo fora.
Nunca roubei uma bicicleta,
Nunca me droguei.
Porque nunca dei um tiro do seu carro
Nunca usei uma farda
Nunca tive um emprego decente
Ninguém respeita o fraco
Ao meio-fio 
Ao meio-dia
Em meia idade
Em inteira desgraça
Ninguém respeita quem quer se atirar
Com um pé no para peito
O outro na ponte 
Safena
De peito aberto
Lamuriando
Passado em branco
Noite em claro






sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Pousa



Sem norte
Exagerada
Tonta
Desregrada
Fim de noite
Notívaga
Bate no canto
Do teto
Na pá
Do ventilador
Sem noite
Circula
Na boca
Do estômago
Rodopia e se machuca
A mariposa
Sem nota
Quebra asa
Arrebenta o corpo
Atraída
Suicida
Pela luz artificial

Que mata


sábado, 19 de dezembro de 2015

Esgotado



Esgotou
que ouço
que vi
Pra baixo da pia,
Na água do banho
Lavagem de roupa suja
Esgoto a paciência
O suspiro de contenção
Esgota tudo
É a gota
Pichando a galeria
Com ratos sujos
Com rotos panos
Com rostos débeis
Baratas cegas
Me ralo
Me fossa

Me esgoto!

AlexSandroBambiL

domingo, 21 de junho de 2015

21 de junho [2]



Resolverá. Pouco sonoro. Muito sombrio.
Igual meu urutau,
Abrirá, antes de acender a luz
A porta dos versos, das notas menores, dos pés frios,
Do som azul escuro.
Penumbra de quarto.
Sons lentos, passos arrastos, chás mornos, chamas laranjas, soluços descalços,

Cafés

Recém

Passados

Espelho embaçado, fumaças cansadas,     Constipação...
Espero o ano todo.
Sol que não aquece
Vento navalha
Luzinha morrendo
Lápis desapontado

Morreu, semana passada, de calor intenso e fome matada os versos sonsos
Do último 21 de junho
Morreram em agonia de caneta
Em agoniza de poeta
Em dedos rijos de pestana
Seguro com duas mãos o café dono da fumaça...Olho de coruja e vidro
É barroco
Claro e escuro
Cíclico escondido no casaco cheiro de mofo
Decaído solstício num espaço com fogo.

Nem rosa nem resposta.
Diferente igual todos os ciclos.
Eu deixo o frio vibrar devagar, tudo manso.
Eu deixo os móveis encolherem e estalar.
Escolherem partir ou ficar.
Prendo o ar gélido em respiração lenta.
Hirto...
Sem palheta.
Sem calor
Sem sentido
Sem suor.

AlexSandroBambiL

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DO POR QUE EU CURTO O BÁTIMA


Perdão mais uma vez pela formatação, caros (as) leitores (as), o texto foi originalmente publicado no Faceburguer depois trazido para cá.



Encontraram um estojo do Batman perdido na escola onde trabalho. A “tia” inspetora chegou até a sala dos professores e perguntou:

- Alguém sabe de que aluno é este estojo?
Feliz ao saber que alguém havia encontrado meu estojo, levantei a mão e disse:
-É meu!
Meus colegas riram e alguns alunos depois de ver meu sensacional estojo do homem morcego perguntavam:
-Mas é seu mesmo?
Além do estojo, tenho um bóton com o símbolo deste super-herói na correia da minha guitarra e na verdade, apesar de alguns pensarem que sou um daqueles fãs que têm a primeira revista em quadrinhos num baú lacrado, que tem um pôster enorme no quarto, que acompanha a todos os filmes e tem uma vasta coleção de bonecos, sou, na verdade, um admirador do Sr. Bruce Wayne.
Admiro a humanidade do Cavaleiro das Trevas e acabo de certa forma me identificando com esta humanidade latente por trás do mito.
As inúteis notícias nos sites de fofoca e revistas destinadas a este fim (bizarro) revelam esta busca humana pela fraqueza, pela humanidade, pelo lugar comum a todos os seres humanos de onde saíram estes seres famosos. Parece haver uma constante busca por saber o que torna alguém famoso. Por que o fascínio em ver seu ídolo jantando ou num affair com qualquer outro ser mortal? O que há de tão fascinante em algum ator tomando açaí e passeando na orla de Copacabana? Parece haver na maioria de nós o desejo de ser mais do que a condição humana permite, mas ao mesmo tempo, há também o desejo de encontrar um defeito, a polêmica, a fraqueza, a Kryptonita de quem aparentemente se achegou a um lugar superior nesta existência terrena e por conta do conceito que tem de si ou do conceito que o fizeram acreditar acerca de si, se tornou famoso, rico, tem a família perfeita, não erra, não fica careca e barrigudo, não recebe cartas de cobranças, não tem sua saúde abalada por problemas na família, não peca...
Admiro Batman e seu alter ego por não ser um super-herói que foi geneticamente modificado, não veio de outro planeta, não foi picado por nenhum inseto geneticamente modificado, não é filho de deuses, não invoca ajuda dos mortos, não tem poder sobre nenhum elemento da natureza, voa mas voa como uma galinha! Não tem sequer um “super raio que o parta”... Ele é (como diria Nietzsche) “humano, demasiado humano” (Nietzsche que foi o primeiro a criar o termo “Super Homem” - mas isso aí dá outro texto, outro estudo, outra treta filosófica e não quero parecer pedante nem prolixo apesar de... enfim... é a mania academicista de justificar tudo, caros leitores).
Ao contrário da maioria dos super-heróis, na face do homem morcego não cabe uma piada. É um gentleman casmurro. Introspecto. Bem falante de poucas palavras, preocupado com os desamparados, polido, diplomático. É um herói antes de tudo sobre seus próprios medos e exatamente por isso escolheu a imagem de um morcego - a imagem que tanto o atormentava em sua infância.
Entretanto, só nós e Alfred sabemos quão infeliz é o homem que salva Gotham de suas mazelas: Luta muito bem contra vilões mas é um romântico mal resolvido, possui motos, carros, engenhocas caríssimas e muita grana mas vive só; Combate vilões que afrontam a linha tênue entre ser herói e ser humano; tem máscara, capa, habilidades, não usa arma, resolve tudo na força de seu braço, tem um cinto de super-herói, fama, força, coragem, respeito... mas Batman não poderia sequer entrar na escola do Professor Charles Xavier. Não está entre os mais admirados das crianças, não está entre os que vestem vermelho e azul, não foi convidado para estar entre os vingadores... O homem morcego está o tempo todo batendo com a cara no inegável fato de que é humano! Que tem sono, cansaço... Oh Batman! O que seria de um filme com você tendo que parar aquele carrão para “tirar uma água do joelho!”(?)
Mas ainda assim "humano, demasiado humano" ele segue sendo herói. E Gotham confia e precisa dele.
E pensar que aquele que teve motivos de se sentir completamente superior à condição humana por ser filho de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus (Filipenses 2:6). Quis ser gente assim como gente deve ser.
Descobri que não sou super nada! Posso até ter uma capa, usar todas as máscaras que usei e que vez em quando inda tenho de reserva. A capa do super-cristão, super-pai, super-profissional, super qualquer coisa que eu quiser. Mas o que me dá força e poder, o que me dá resistência e coragem, o que me dá sustento além das forças que se acabam no final do expediente é a graça que foi liberada numa cruz. Não para que eu fosse mais que ninguém. Não para me encher de “autoridade” acima de ninguém por ser “superespritual”. Mas graça de ser gente. Ser humano que erra e acerta; que vence e perde, que olha a queda alheia com os olhos de quem se espatifou no mesmo chão, que tem bom humor e rabugice, que quando perde sabe que isso faz parte dessa vida e que tudo não se resolve no próximo capítulo só porque eu teria o poder de me reconstituir.
Graça que me faz olhar pra minha vida e ao invés de perguntar “o que eu fiz?” me faz perguntar: “O que pode fazer por mim?” – e Ele pode... sempre pode... e não se assusta quando enxerga minha podridão. Ele sabe que por trás das minhas máscaras caídas ao chão, há um espírito pronto a ser tratado todos os dias. Minha capa não O impressiona, meus atos de herói e de bandido também não, pois quem se despojou de toda sua glória e se fez homem sabe que ainda aqui em mim, este espírito habita num corpo humano...demasiado humano. Sem nervos de aço nem sem ossos de adamantium.
Santa humanidade, Batman!



AlexSandroBambiL

domingo, 11 de maio de 2014

Tudo que eu poço



No fundo, 
É superficial tudo o que eu fosso, 
No fundo não posso.
No fundo, tudo o que faço
É anacrônico e remoto
Boçal esboço 
Mal escrito e bem escroto
Do que deveria ser 
E não foice.
No fundo, 
Logo ali é lodo, 
Tudo é mais limbo,
Mais escasso
No fundo 
É sem água e maremoto 
O que falo é esgoto, 
Tudo canhoto, 
Roldana rota
De rota torta
Derrota certa
Superficialmente profundo
Humor de mofo.
É fossa!
E tosco
É soco 
No olho da cara
Na boca do estômago
Pro fundo.

AlexSandroBambiL

domingo, 9 de março de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

sábado, 22 de fevereiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


Fica tudo diferente quando a pausa aperta (ASB)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Apartem os sintos muito (ASB)

DES
perto suficiente
pra continuar
L  O  N  G  E
(ASB)

(Me martele seu julgamento quando sua vida for um exemplo!)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

UMA GERAÇÃO DE SEM-GRAÇAS


perdoe a formatação do texto, foi publicado primeiramente no Facebook e transferido para cá.

            Quando fazia algo de errado ou que, na maioria das vezes apenas eu achava engraçado, minha mãe dizia que eu estava sendo sem graça, ou fazendo “semgraceira”. Criança respondendo aos pais era uma semgraceira; gritar era uma semgraceira; criança se jogando no chão do supermercado era uma semgraceira e fazer semgraceiras na escola era algo digno de várias varadas com galho de goiabeira dentre as mais variadas modalidades de se apanhar, cultivadas em abundância quando eu era criança.
         Na escola, eu era orientado por meus pais a ficar longe dos sem-graça. Gente que não fazia tarefa, respondia professor, falava palavrão... esses eram sem-graças e eu não deveria andar com eles. A impressão que tenho, é que há não muito tempo atrás, enquanto ia à escola, os sem-graças eram poucos, ou ainda, contidos. Hoje eu estou do outro lado da carteira, sou professor, e me parece que surgiu, de repente, toda uma geração de sem-graças mais forte e em maior número que os raros não-sem-graça. E sim, minha mãe ainda não me quer junto aos sem-graça e já me sugeriu trocar de profissão. Este texto, caro (a) leitor (a), era pra ser um vídeo. Era pra ser mais bem humorado. Mas ao recolher material suficiente para isso, comecei a reparar que a condição do professor não tem a menor graça... Este é um texto sem graça e você ainda está em tempo de parar sua leitura por aqui! E acabei preferindo um texto a um vídeo, pois, bem sei que poucos o lerão. Gente que raramente passa por aqui apenas para comentar uns “kkkkkkkkkks” vez em quando, dificilmente lerá este texto até o final. É mais comum notícias de alunos rebaixando seus mestres em todos os níveis, fotos no Facebook com as legendas de “aula saco”, depreciações públicas da figura do professor do que professores surtando e virando a mesa. Se este é meu primeiro texto que você lê, não se escandalize; tenho o humor nordestino correndo cá nas artérias, tenho a “alegria do Senhor”, que é minha força e, não obstante, sou grande admirador do humor satírico inglês, mas escrevo sobre uma piada que é um beócio.
        Honestamente, em algumas escolas parece que vejo crescer a geração mais parva, desrespeitosa e gratuitamente arrogante que meus olhos já viram e, pra ser mais honesto, isso me deixa com medo da minha velhice! (Não quero chegar ao mesmo nível, mas, caso tenha achado pesados demais os adjetivos, talvez não saiba o que já ouvi em sala de aula sobre meus colegas de trabalho e sobre mim mesmo). Parece ser muito engraçado ter alguém que fica solitário, num eterno “Todos contra um” como objeto de piada e zombaria. Parece que a depreciação do professor em sala de aula se tornou um hobbie, um entretenimento necessário e indispensável para o cotidiano de quem está na escola para qualquer outro fim que não seja estudar.
        Hoje, no mesmo dia em que escrevo este texto, percebi que cometi um erro terrível: Dei aula. Pois é - Era a segunda vez em que entrava em uma sala para dar aula e lá havia uma aluna que ainda não me conhecia, pois havia faltado na primeira aula. A título de informação, estou falando de alguém entre seus 25 ou 27 anos – lá parti para o giz, quadro, quando ouço alguém dizendo:

- Oi... alô... qual era o nome daquela cor que você pintou meu cabelo? 

         Quando olho para trás, havia alguém ao celular. Uma outra aluna ao celular perguntando isso... num daqueles momentos em que você realmente demora a acreditar que está de fato acontecendo. Pedi para que desligasse e, depois de saber a cor, ela desligou. Passados alguns minutos, a primeira aluna que mencionei disse:

- Disseram que sua aula era legal... mas tô (sic) vendo que não é não! 
- Ah é?! Defina uma aula legal!
- Ah... o senhor deveria sentar aí, rir mais com a gente, conversar mais com a gente. 

       Enquanto ainda digeria esta última, passados uns cinco minutos, esta mesma aluna leva o celular a orelha e eu digo:

- Na minha aula não, por favor! 
- Vou embora! Você é um chato e sua aula é chata! 

          E foi aí que vivi um daqueles momentos em que você não sabe se chora ou gargalha como a Adele! A personagem não assistiu vinte minutos de minha aula, passou quase dez conversando do lado de fora, falou ao celular, não copiou toda a matéria e eu, que estava fazendo o que sou pago para fazer, estava dando uma aula chata, ou chata apenas por, de fato, ser uma aula.
           Apesar de com frequência ouvir que a educação brasileira está uma palhaçada, não me conformo com a ideia de tornar a sala de aula num picadeiro. Sei que a escola é um ambiente estressante sim, sei que há muito que temos que melhorar, tento proporcionar um clima descontraído em minhas aulas por conta disso, mas me tornar um animador de palco e contador do último capítulo da novela, não! Na última sexta-feira não consegui terminar uma aula, aliás, propositalmente terminei mais cedo por não aguentar mais uma vez uma onda de um deboche nojento, onde não me seria possível terminar a aula com uma severa rouquidão (ah, aqui neste caso falo de gente entre seus 16, 17 anos que decide o futuro do país nas urnas ). Um escárnio alarve de gente que chega meia hora atrasada e leva como material escolar apenas um celular, que faz pilhérias pornográficas sem pudor, que atribui ao professor a culpa por sua própria indisciplina, displicência e irresponsabilidade, que se revolta quando “tem muita matéria” e que sugere apenas “um trabalhinho” para garantir “uma notinha” - e vale lembrar, estou falando apenas de escolas de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul.
            Geralmente, por trás do professor que você vê, existe uma família. Geralmente a professora que você vê em sala tem um marido, deveres de esposa e filhos. Geralmente, o professor que você vê tem esposa, deveres de marido, e filhos. E, normalmente, a aula que você vê é apenas o produto final de muitas horas de trabalho que este profissional teve para aguentar um descomedido desinteresse. Ele tem contas a pagar, também sente raiva, antes da sua escola provavelmente já, no mesmo dia, lecionou em umas duas outras escolas, também tem dor de cabeça, também pensa nas grosserias que ouviu e quando vocifera e grita, é porque já ouviu e tolerou muitas outras chocarrices bizarras antes do estopim chegar ao fim. “mimimi, mas você nunca fez nada com professor?” – Sim! E quem me conhece sabe que sou exímio imitador dos professores que tive e, se algum dia faltei com respeito a algum deles, nunca foi durante nenhuma aula.
             Ainda sou um professor verdolengo, ainda há muito o que aprender. E ainda estou nessa porque realmente acredito que a educação pode transformar vidas. Porque sinceramente acredito nos não-sem-graça que chamam a responsabilidade pra cima do peito e encaram seus deveres com seriedade, que frequentemente têm na boca coisas como “com licença”, “obrigado”, “por favor”, que não estudam só na escola e que trazem consigo a educação que os acompanha desde casa. Certa vez uma colega de trabalho me disse:

- Iiih Alex... Tem coisas que faço de conta que não estou ouvindo nem vendo. 

     E odiei a faculdade por não ter me ensinado esta habilidade. Ou seria esta habilidade adquirida/desenvolvida com o tempo? Será que o problema é se importar demais com alunos e pais (ah sim, os pais) que deliberadamente não se importam? Será que, para manter a paz, conservar o que sobra de sanidade e saúde é necessário apenas sentar e ver o circo dos sem-graça pegar fogo?
Somos uma autoridade na escola e na sociedade.
Uma autoridade como Cabo Citonho diante de Frederico Evandro!
Acho injusto considerar a educação pública brasileira uma palhaçada, pois se vê no picadeiro muito mais respeito e reconhecimento pela profissão do palhaço.
 Alex Sandro Bambil - esse professor chato!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Incômoda




Eu que preciso transformar minha ansiedade em brisa
Não é justo ter só eu...
Tenho uma noite cor de neve debaixo do travesseiro,
A verdade tem dono.
Respeito e paz no ataque contido.
Compaixão, egoísmo, ternura, saliva, suor e lágrima.

Meias palavras,
Meias verdades,
Mentiras inteiras,
Meia noite ou mais

É injusto eu não ter bolsos
São injustos meus presentes ilógicos,
Só faço isso por baixa auto-estima!
Não é justo um sofá de trincheira,

É tudo deposto,
Tudo oposto,
Tudo avesso,
Tudo desgosto.

Palavras que você dizia que eu falava e não me ouvia
Esse choque térmico que me tira o chão,
E mo devolve descalço e gélido,
Me enlouquece a seta da bússola.

Não há mais verbo nem presente,
Esse estrondo de tua porta batendo,
Não é justo poder sequer novas pétalas,

Sou quem volta, querendo ir,
Ao som da voz que me denuncia minhas imposturas,
Não é justo, te tornar quem diria quem não seria.

A cômoda,
Pouco incômoda...
Agora tanto incomoda,
Objetos velhos, significados novos,
Objetos passados, significados pesados.

A desgraça virou piada...
é mais cômodo, não é?
Quis de volta o fardo leve.
Não me joguei...
Me empurrei vida, janela a fora.

E mesmo que a gaveta estivesse arrumada,
Eu não encontraria nada de razão,
Eu que tanto de inverno falei,
E agora tudo baixou temperatura?

Justo cacto morrer de sede...
Não é justo fim sem final...
Guerra fria...
E os sons que me derrubam no chão que não existe mais...


Meu senso que nunca foi bom!
Eu, hipócrita reaprendendo a regar jardins,
Sou quem foi, tentando encontrar a volta,
Tá com defeito! Demora quanto pra arrumar?








terça-feira, 29 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Rasa



Tens razão
Ou toda ela te tem
Tens razão em não se importar
Tens razão se não te importas
Tens razão se queres odiar, mas
Se odeias, é porque inda te importas...
Mas e que razão há nisso?

Tens razão
Toda ela
Dos olhos faiscando
As palavras flechando
Meu barulhento mundo mudo
Meu mundo fechado que um dia se abriu

Tens razão
Desta que me ausenta de toda
Desta que aniquila a nossa rasa cumplicidade
Razão nenhuma tivemos, mas toda a tens.

Tens razão de me matar
Cada vez que quis respirar
O mesmo ar de dentro de sua redoma
Tens razão em ser gelo e pedra
Mármore e cacto

Tens razão
Todas quanto quiseres
Todas quanto não tenho
E de que alguma delas me valeriam?

Não há razão
Para tantas setas
Que apontam para lugar nenhum
De razão nada tenho
Nem de são tive

Tens razão em duvidar
E eu sem razão
Nada posso mais
Apenas uns versos rasos sobre rosas
Umas canções sem razão de existir
Umas rimas rasas rasgadas...

Uma sagrada canção
Umas recordações mudas sangradas

Tua voz em tom de toda razão.

AlexSandroBambiL

sábado, 17 de março de 2012


"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
(Saramago)

sexta-feira, 16 de março de 2012

A conta da saudade quem é que paga?



Voz, violão, imagens, edição de áudio e vídeo: Alex Sandro Bambil - Letra: Fernando Anitelli "Samba de ir embora e só".

terça-feira, 27 de setembro de 2011

(F)úteis


Farto de toda essa gente chata
Que aguarda o momento errado a fim de manifestar todo seu vasto conhecimento de vida
E seus conselhos sábios.
Farto dessa gente que tem gosto de água com nada
E que se põe a jorrar uma correnteza de nadas.
Essa gente inconveniente que tem música tola e palavrões nos lábios.
Farto dessa gente que nasceu com defeito nos decibéis.
Essa gente fútil que usa gente como degrau.
Essa gente arrogante
Esses pobres soberbos
Essa corja pedante
Esses tratos sem termos
Esses trapos de ternos
Essas velhas mal amadas
Que riem do que não tem graça
Mal humoradas
Cansado desta hostilidade disfarçada
Essas frases remontadas
Essas cartas marcadas
Fartos desses fariseus e atores
Essa gente que da lei são doutores
Destas almas ricas em paixão
Mas desgraçados de compaixão
Farto dessa gente que não têm sal nem açúcar de sobra
Dessa massa de manobra
De saco cheio desse bando de puxa saco
Essa juventude que dá asco
Este poeta insípido
Este verso estúpido
Este verbo inconjugável
Essa dor imensurável
Farto dessa gente que fala e não sabe o que falar
E vulgariza o verbo amar!

(AlexSandroBambiL)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Trilhando


               Yes Ladies and Gentlemen! Após um longo e tenebroso inverno sem postar fotos (de qualidade) por aqui, e$perei um certo $tempo$ até conseguir enfim adquirir uma câmera fotográfica decente, logo, não há mais necessidade de vocês preocuparam-se em presentear-me com uma =) se bem que meu notebook queimou o HD... tá difícil heim! (hohoho) .
         Segue, portanto, alguns cliques que fiz em alguns (raros) momentos de folga, em sua maioria, na "Estrada Boiadeira" em Aquidauana-MS próximo ao Córrego João Dias. Clique em cima das fotos caso queira visualizá-las em tamanho ampliado e por favor, não esqueça do nome do fotógrafo aqui caso queira copiar alguma. Valeu mesmo! God bless you!... Enjoy!

Neo Gótico

(Fundos da "Casa dos Padres" e visão das duas torres da Igreja Matriz de Aquidauana-MS)

sábado, 20 de agosto de 2011

Vende dor


Sem venda nos olhos,
Depois da venda dos versos.
Alugo a lágrima,
A longe lástima
Em longo prazo.
Alego saudade,
E ela me cobra à vista.
Vendo nostalgia,
E ela me vendo os poemas.
Vendo sonhos,
Vendo rosas
Mas revendo, nenhuma é igual a aquela.
Parcelo lembranças,
Vendo esperanças,
Dou o coração...
Vendo janelas,
E através delas,
Vendo estrelas.


AlexSandroBambiL

Ex Tático

A volta dos ponteiros
Em volta sem vibração
Sobrenaturais.
De olho no calendário
De pé no lugar sem nome
Me visto de cores calmas,
Haja visto sem cores,
Não são,
Não sóbrio,
Não som,
Não próprio
Sem sentido,
não aquele de Aurélio.
É o gosto das palavras ditas com outro recheio,
O interruptor do olhar
Olhando pro nada
Pensando em tudo

AlexSandroBambiL

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tem gosto II


Varre as folhas e deixa tudo seco
Entre inverno primavera,
Entre céu cinza, rosas vermelhas,
Versos do inverno passado
Poeira nos olhos
E você é igual a esta ventania
Que balança copas,
Sopra varandas,
Deixa aves sem rumo
Bate minhas portas
Me deixa exposto
À mercê, agosto.

AlexSandroBambiL

Chuva de vento



Calmaria de se assentar na calçada,
Para ouvir o farfalhar dos ramos, som de vento e mais nada
Aquela calma quando se dorme com o longínquo som de trovão.
A silhueta das árvores revelando-se em segundos de clarão.

A paz de chuva lambendo os trilhos
Asas atravessando morros fugindo
Aquele cheiro de tempestade rugindo,
Abrigo de andarilhos.

Farpas e madeiras rangendo
Gretas, raízes e cochos encharcados
Som surdo de juriti gemendo.
Atravessa cercas e arames farpados.

Tudo mais verde que outrora, truque de nuvem
Quando tudo baço, onde as aves moram agora?
No espaço desaparecem, somem, escondem?
O azul, as sementes, as aves, a estrela... Aonde agora?

AlexSandroBambiL

Rascunhos




Na fúria de depois de sol posto,
Sob a janela daquele janeiro,
Destruí à sombra da dor...

Aqueles que foram para a lixeira,
Aqueles que ninguém viu,
Aqueles que nem a nostalgia quis,
As palavras que não encontraram rimas,

Entre a flor e o riso,
Entre o rolar da caneta e o escrever da lágrima.
Entre o calor do abraço e o frio destes quilômetros.
Aqueles que viraram rascunho para lista da compras do mês.

Poemas de café e canela.
Aqueles versos que minha notívaga mente digna de pena não trará de volta.

AlexSandroBambiL



sábado, 23 de julho de 2011

Photo

     Desde a primeira vez que peguei uma Cyber Shot e fotografei o primeiro pôr do sol, sempre gostei de fotografar o que meus olhos percebiam ao meu redor sob uma ótica que muitos não enxergam e, desde quando este blog foi parido, havia muito mais fotos que eram por mim mesmo tiradas. Algumas perderam-se sei lá como e, além disso, minha querida câmera fotográfica (com a qual também fiz alguns videos que você pode conferir no meu canal do youtube clicando AQUI) estragou, foi pro vinagre, teve um surto que não funciona mais, o que deveras, me deixou muito triste pois, desde aquele dia, parecia que pássaros, estrelas, rosas, luas e muitos pores-do-sol se exibiam em suas melhores formas apenas pelo fato de eu não possuir mais em mãos uma câmera engatilhada a fim de registrá-los (ah sim, caro leitor, confesso: recorri também ao São Google para saber se o plural de pôr do sol estava correto, mas aí você vai dizer: "Que burro! E cadê o hífem?" - leia minha rápida biografia ao lado e saberás - perdão! é apenas a mania academicista de justificar tudo, arg!). 
       Mas depois desta algaravia prolixa, senhoras e senhores, consegui um celular capaz de, pelo menos por algum tempo, acalentar este fotógrafo triste que aqui se fez - aliás, caso algum de vocês queira me dar uma câmera nova... enfim... vai que rola! =-)  e então resolvi partilhar algumas fotos já velhas (porém válidas) e algumas recentes manipulações fotográficas e fotos também recentes, porém, caso queira copiar alguma delas, por favor, não se esqueça de citar a fonte. Grato desde já... Enjoy!!!




                                                     Um dos meus grandes "xodós" de manipulação fotográfica: Coral da Escola CEJAR de Aquidauana-MS
Sim, este sou eu.
Fundos da "Casa dos padres" de Aquidauana-MS - Resolução lamentável, eu sei, but...
A grande Shika, animal intelectual do meu primo Thiago Bambil.
Vitral da Igreja Matriz de Aquidauana-MS
Igreja próxima a Escola KM 21 de Anastácio - MS
Meu finado bichano Mozart.
Não é falha minha do photoshop: meus mindinhos são exclusivamente tortos mesmo. Visão da frente da minha casa! Deus é perfeito!


Acampamento e pesqueiro Betânia.
Coral do CEJAR

Guitarra e tereré: coisas boas da vida!