sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Stand by me




Dsiléixico, Desligado, pra longe vai...
Os documentos, as palhetas, as datas, os diários de classe...
A informática, a gramática...
Você é burro?
Tentando ser ético, tentando ser rápido,
tentando ser ágil...
Tá pensando em que?
Nas falácias? Nas estrelas? Nos cachos das acácias?
Você não presta atenção?
Escreveu, somou tudo errado,
É só matemática, é só lógica é tudo tão fácil...

Quando eu estiver em standby,
Oh darling! darling! stand by me!

Disperso, desaparece, complexo, sem nexo

Anorexia de pensamentos,
O Alex perdeu o léxico, perdeu pra dislexia
Não anotou os acordes,
Esqueceu a poesia.
 

AlxeSndroBamiBl



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Palavras das horas do dia

        
         Hoje a hora é todo um dia que não termina.
         Esse chão frio acolhe meus pés descalços e absorve as cantigas nunca cantadas e as palavras que não foram escolhidas. Enquanto os pensamentos vão na fumaça da chaleira vagarosas caem no vão de cada paralelepípedo onde pisou.
         Hoje o dia é um esboço de uma tristeza que não sei como termina e eu lembrava como tinha começado.
         Corro para um horizonte que me foge. Ainda tenho pedaços da pele da sanidade debaixo das minhas unhas ainda sujas com o sangue azul. Tropeço devagar, preso, caindo em queda livre.
Depois de me enlouquecer e revirar minhas gavetas de saudades sem minha permissão, depois de me pôr para dormir e gritar um nome para me acordar, depois de envenenar meu jardim, depois de me envelhecer a pele, me tomar pelo braço e espalhar todas as lembranças sobre a mesa, depois de deixar a luz acesa sobre meu sono, rasgar as esperanças, chupar todos meus ossos e cravar os dentes em meu coração, essa nostalgia não satisfeita, leva a poesia cativa e a arremessa para fora de mim... meus versos querem revidar.
       O som do sorriso é música... ando ouvindo ela por aí.
                 Qualquer calçada vira pista de dança... melancólica alegria.
                                                                                                                    (AlexSandroBambiL)

Livro do Desassossego

"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?"

Bernardo Soares
(Livro do Desassossego)

domingo, 24 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ventoeste


Débeis lá fora sem bússola as folhas caem
Faces de fora insípidas nas ruas são todas iguais
Difícil nostalgia da face que trazia alegrias a mais
Urutau cá dentro notívago canta as luas que saem

Estalam as últimas folhas de outono
Balançam nos varais as roupas que secavam
Tolda o céu que assopra um pássaro sem dono
Poeiras dos quintais vermelhas se elevam.

Uma canção que por recordação acalma
A rabiscar versos e paredes a esmo
A procurar por cima, por rima e por alma
Vais ver que sou poeta, sou louco mesmo.

Coisas estalam como ossos na tempestade cinzenta,
Vem rugindo, derrubando ninhos com voz violenta
Tempestade aqui dentro e do outro lado da janela
Chuva de vento e angústia da espera

Vou de encontro, não vou me abrigar,
Sou grama na tempestade que vem de onde você está.

AlexSandroBambiL

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Nunca é passado


Passam as palavras da lira se enrroscada
na trama traspassada
de saudade
de olhares
chuvas espaçadas
a lembrança me despedaça
abraços de segundos contados
sorriso esboçado, embaçado...
saudade empoçada.

O primeiro passo é esse vazio que não passa
Não dá espaço...
Passo a passo num passado tão agora.
Dias passo esperando... e você não passa.

Se naquela noite não tivesse passado,
eu não teria os olhos no meu futuro...
meu pretérito-mais-que-perfeito...
sem presente...

Poesia lavada e passada
a limpo
amarrotada
no bolso
não passa...
nunca é passado.

AlexSandroBambiL

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tem gosto

Tem gosto
De abraço apressado,
De ventania,
De inverno passado,
De alegria.

De cachorro dormindo,
De violão tocando,
De poesia surgindo,
De sabiá cantando.

De mão gelada,
Tem cor de roxo e grená
Pé de Baobá,

De café na madrugada,

Tem gosto de primavera que vem
De amor que não tem
De beijo quente
De notívaga mente.

(AlexSandroBambiL)

Notívaga mente


Nessas madrugadas construíram-se nesta notívaga mente, os traços que são todo um poema. (AlexSandroBambiL)

Por descobrir, por reler, por escrever

É sentir o vento gélido e olhar as nuvens rosadas...
as nostalgias começam a pingar.
Disseram que a saudade adormece,
mas a minha não dorme,
nem quando estou dormindo.
Sinto tudo onde cada fibra de mim gostaria de estar.
Nosso livro é uma vida aberta,
Histórias passadas,
Páginas por descobrir
Páginas para reler,
E outras por escrever.
E o que lês nunca foi dito
E é provável que nunca o será.
Há tanto que ficará por ser dito...
No calor entredente da ausência,
No silêncio que juntam os olhares.
Calado
Dia nublado
Descoberto
O som do relógio
Os códigos na parede.
As palavras chegam sem envelope, e eu as endereço a ti.
Segredos que estas ruas segredam
No rio deixa-me inventar o azul deste mar
Desenhar a luz horizontal do pôr-do-sol
Até brilhar tua estrela azul.

(AlexSandroBambiL)

Quando chega



Quando chega cessa o movimento,
Faz da vida todo um instante
O som fica distante.
Deixa o perfume no vento.

Quando chega minha luz de sol poente,
Me derrete devagar,
O sentido é dormente,
Me rouba o ar.

Os segundos são contados,
No meu tempo sem relógio, mesmo depois de tanto tempo,
Sonho de olhos acordados,
Os sons, e as rimas invento.

Quando chega sou menino, sou nuvem a chover,
Sou traços de um poema,
A canção, a rima, um tema,
Sou eu em mim o que você quiser.


Notas?



Os olhos semi-cerrados
Quando me dizem coisas intelegíveis,
Meu coração, aberto, disparado
Se rende a versos indizíveis.

E sentindo sem tino, sorrindo,
A rosa em meu jardim se abrindo,
Respiro num livro ao abrir
Seu sereno sorrir.

Notas?

Estás em toda estação.
Misturo cordas, suor, palheta e coração.

Diminutas com sétima oitavadas,
Com nona bemóis fermatadas,
Sustenidas fantasmas maiores,
Desafinados contra tempos menores.

Minha sua canção
Nostalgia dá o tom... notas?

(AlexSandroBambiL)

Café com pão


"Atrele seu vagão a uma estrela."   
(Ralph Waldo Emerson)


Ninguém sabe pra onde esse trem azul vai.
Grita...

desperta pássaros, gente dormindo de madrugada, treme o chão onde passa, mexe a água calada no copo,

encanta as crianças, atrapalha o trânsito e trilha com a pressa lerda como o seu sonoro ranger metálico.

Vira metrônomo do meu violão...
Sozinho, com toda aquela saudade no vagão.
(AlexSandroBambiL)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

21 de junho



       Começa o inverno no calendário,
       Mas há tantas estações ele aqui
       E nele me aqueço
       Na fraqueza do sol
       Na cortina espessa da neblina
       É quando as palavras saem na aragem
       E vêm da fumaça do cappuccino
      Andam pela ponte
      Atravessam a cortina
      E vêm por entre paralelepípedos
      Flutuam em espiral no vento gélido
      E voltam para repousar
      Aqui no cobertor, no sofá
      Estação, está bem
      Me mata de frio, de saudade
      Me deixa meio doente
      Acordo sem espelhos
      Foge-me o vermelho da face
      Foge-me o calor dos pés
      Estação, está bem
      Inconstante sol
      Intenso amor
      Ao invés da flor a dor
      Aguardo outra revoada
      Aguardo outro pôr do sol
      Invento esperanças
      Inverno

      
(AlexSandroBambiL)




terça-feira, 15 de junho de 2010


Aqui
      não
        mais
                                     adiante
na ponta da caneta,
na pétala da rosa
no ruído da estrela,
na fumaça do café,
no sorriso da criança,
nos passos trôpegos do velhinho.
cá dentro
                     lá
                                    se fora
ela está.
Em cheiros, livros e sabores...
e ela aqui
                                   ou aí,
não sei,
escondida...
mas quando a poesia quiser se mostrar,
nem vai me olhar...
vai te chamar, e te encontrar.

(AlexSandroBambiL)

Perto do Porto


Eu quero ir
pra onde as placas me chamam
pra onde a estrada me levou
Eu quero ir, mas não só,
onde os paralelepípedos me conduziam,
pra perto do porto
onde minha saudade se ancorou.

(AlexSandroBambiL)




quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Rosa

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante."
(Antoine de Saint-Exupéry)

              Num dia desses, enquanto ministrava my english class, reparei no fichário de uma aluna uma bela arte feita apenas à caneta. Parei a aula, perguntei se era ela quem havia feito, e ela disse que era seu tio quem fazia as artes. Perguntei se ele faria uma rosa, da mesma maneira, e dias depois ela me trouxe esse lindo trabalho que você está vendo aí em cima desenhado apenas com uma caneta preta. Fica aqui meu agradecimento ao artista de Anastácio-MS Zé Thomas, que acabou deixando o desenho comigo como presente e à Luana Ragalzi (a sobrinha) por intermediar a criação da obra. Valeu mesmo!

OBS: Caso queira copiar a arte e publicar, caro cidadão, por gentileza, não se esqueça de publicar o nome do artista que está ali no texto e, lógico, o meu blog também =] Grato!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Metade



"(...)Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

terça-feira, 11 de maio de 2010

Arabesco de fumaça de café





Vento no canto da telha,
Um banco vazio.
Poesia em pétala espelha,
Meu café frio.

Quero o frio como blusa,
Esbranquiçar a pele,
O calor que se recusa
A primavera que se expele.

Tenho o estrondo da porta
A folha morta
O violão num canto
A árvore em pranto.

Som de jardim...
Em vendavais flores de primavera viram seu fim,
Testemunhas das estrelas,
Rosas vermelhas,

Vieram rosas no frio,
Ainda canção, ainda poesia invade
Asa da minha saudade,
Rubras, pequenas, no outono vazio.

O café, a fumaça,
O sorriso, tua graça,
Abraço invisível,
Palavras querendo o indizível.

Inverno passado preciso
Tinha um café quente,
Um vento veemente,
Eu tinha um sorriso.

(AlexSandroBambiL)

Arame Farpado



Circuito fechado,
Arame farpado.
Acerca dessa dor eu entendo!

Daqui de dentro,
Onde há um frio gemendo
De olhos abertos dormindo...
Acerca desse lado só eu sei.

Achismo,
Farisaísmo,
Perfídia,
Falso moralismo...

Hoje não! Por favor!
Me cobre o que tenho,
O que não quero!
Economize asneiras...

Arame farpado!
Acerca de tudo isso,
Estou sob minha própria pressão...
Subindo!...

Bússola quebrada,
Raiva dormente,
Atrasada...

A cerca farpada
A ira calada
E se eu explodir?
Que se exploda, né?

Olha!... Um balde!
Nele está escrito: "Chute-me com força!"

(AlexSandroBambiL)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Perto de Você



A saudade vem borboleteando
E pousa na caneta do poeta,
Despetalando as folhas onde ele escreve flor.
Sonhos diversos...
Versos que vêm do ar da música na rua,
Do céu e do jardim,
Do lugar sem nome.
Correndo paralelepípedos,
Molhando a derme com gosto de chuva, de estrelas,
De inverno, de café e de rio,
De oceano...
De sons de versos.
                                                                                            (AlexSandroBambiL)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Minha vida de Charlie Brown


"Peixe fora d'água, borboletas no aquário" (Humberto Gessinger)

       Eu era a criança melancólica que não corria, não soltava pipa, não brincava de "bulita", não jogava futebol por não aguentar correr, era o alvo de risadas por não saber manusear bem um lápis de cor na idade em que todo mundo fazia belos rabiscos, gostava da parceria dos livros, era o menor da turma, e não sabia nadar.
      Continuo não correndo, soltar pipa na minha idade não vai pegar bem, e a ausência do futebol na minha vida eu compensei quando descobri que era músico, não sei o que são cores primárias e não sei sequer desenhar uma linha reta num papel e continuo não sendo o maior de qualquer turma que participe. Já tive medos bizarros como medo de subir em escada rolante... esse eu superei a pouco tempo atrás, mas sobre não saber nadar e o medo da água e de gente aglomerada ao redor dela... é... esse medo ainda resiste.
      Tudo começou em Guarapari, no Espírito Santo, quando eu criança diante daquela imensidão de mar "fui pra galera" e respirei água salgada. Depois, na adolescência, como se não bastasse o complexo de não querer exibir o corpo, um idiota me empurra na piscina, e respirei água doce. De lá pra cá...
  
      Domingo, piscina, sol de final de verão, alegria, som alto, e o que eu mais queria além de distância da água, era meu violão. Mas já que ele não estava lá, peguei o celular, e a primeira do "aleatório" foi "Smoke on the water" (na versão do Sepultura) - que é uma música que não combina muito com esse tipo de cenário, mas tudo bem, visto que eu também pareço não combinar muito.
      Aí consigo ler a legenda do pensamento das pessoas me chamando de anti social... não é culpa minha meus caros, mas não pretendo cair na água tão cedo. Ainda fico lá, parecendo um peixe fora d... não!... porque lugar de peixe é na água mesmo...
                                                               *(suspiro)*... "Que puxa!"
  
(AlexSandroBambiL)




       Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era os meninos e as árvores.

(Manoel de Barros. Memórias Inventadas. A Terceira Infância.)




quarta-feira, 24 de março de 2010

Por um fio



A linha do horizonte diante dos meus olhos se estica.
Essa linha junta a terra, o firmamento e as nuvens de véu,
Por um fio nessa saudade que aqui fica,
A corda não aguenta e rasga a quimera no meu céu.

A linha do horizonte adormece este olhar,
Que busca o teu que quem sabe além,
Depois deste azul que some devagar,
Pode estar também o meu a procurar.

É vermelho, branco, azul...
É rosa do meu planeta que conto as cores.
Órion se vai no inverno, fica o Cruzeiro do Sul.
Te encontro pelas estrelas ou pelo pólen das flores?

A linha do horizonte toca o céu e o chão,
Ah anjo! essa linha que não une mortais.
Quando mais te verei, meu coração?
Seca essa lágrima que cai, quando além deste horizonte te vais.

(AlexSandroBambiL)

É fogo!


"...é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente..." (Camões)


Azul, verde, vermelho, arde!
É fogo!
Inflama e se ateia cá dentro,
Mesmo que haja neve sobre as palavras indiferentes.
É ausência, é tema de poeta...
É fogo!
Salivando as línguas dessas chamas, desse cheiro caloroso onde a alma deseja se queimar...
Acenda o rastro de pólvora que deixei! E me abrasa forte!
A boca que chama por ti seca, tenho um coração em chamas, nas mãos,
É suor e sangue murmurando sua ausência mesmo em presenças sobrenaturais.
Me chama que consome...
Chama pra me consumir devagar.

(AlexSandroBambiL)
foto extraída do site: www.chromasia.com

"Sol e chuva... não me importa casamento de quem é, prefiro as nuvens de chumbo."
(AlexSandroBambiL)

terça-feira, 23 de março de 2010

Chuva de Outono




"Volto a casa. Que tristeza! Inda é maior minha dor… Vem depressa. A natureza só fala de ti, amor!" (Florbela Espanca)


Agora a chuva umedece as paredes pintadas,
O tempo é linear, minhas letras e canções caladas,
Estalam nesse vento que entra gelada infelicidade
E racham a pele seca de saudade.

Acalenta-me flor! Antes de meu sorriso findar.
Posso sem asas em teu céu púrpura voar...
Anjo! Suspiro teus olhos diamante,
Teu sorrir é a liberdade de uma vida ofegante.

Canções que te tocam me chamam,
Choram, calejam, os dedos inflamam.
Cortante vento de assovio fino,
Frio, mesa, café e cappuccino.

Lágrimas empilhadas sem sincronia,
Hirto, antes prefiro a hipotermia
Do que sufocar o sofrer!
Por ti vivo tantas vezes for, pra de saudade morrer.
(AlexSandroBambiL)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Música que ninguém vê


Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança imprecisa. (Plablo Neruda)

Alguns acordes exigem silêncio...

Como quando sorri, é algo tão lindo que os sons a sua volta parecem sumir.

Alguns silêncios são sinfonias...
Exigem que se faça necessário o que não é música diminuir.

Algumas músicas exigem silêncio...
E algumas canções possuem notas fermatadas por uma saudade daquilo que não existiu.

Alguns solfejos são esse silêncio manifesto...
Como quando tento debalde entoar a canção que soa em mim quando te vejo passar, em arranjos que ninguém jamais ouviu...

Alguns acordes surgem dessa saudade semitonada...
E quando caminhas parece o fazer sob uma trilha sonora, de uma canção só sua que vem até mim,
E ouço como se me fosse todo coração ouvido e toda sua melodia viesse acompanhada em tons de jasmim.

Alguma saudade desafinada me exige que te transformes em partitura de canção amorosa...
No silêncio dissonante, tua ausência cria em mim uma canção...
Tão melodiosa, tão fina, mas tão grandiosamente dolorosa,
Que mal cabe na mão, na voz... nas cordas do violão.

AlexSandroBambiL

sexta-feira, 5 de março de 2010

Lugar sem nome


"Eu grito a minha dor, a minha dor imensa! Esta saudade enorme, esta saudade imensa" (Florbela Espanca)


Assentado num lugar sem nome,
A queda é Dante!
A saudade acerta a vida inteira,
O olhar errante.

E as ilusões impublicáveis da minha mente
Não foram cuspidas boca afora;
São tantas entradas quando me abres a porta de repente
Mas meu tempo demente é todo teu sempre e agora.

Aquece, talvez em todo outono verão que
Sem ti há só inverno cá dentro em todo lado.
As folhas grudadas na mente e no meu corpo são,
Nostalgias aladas ferindo um Prometeu calado.

Ah! Poesia que lá numa flor lançou meu coração,
Impetuosa sussurrou: “Vá buscar, bicho homem!”
Ficou lá pra onde meus sons e silêncios entoados são
Nas pétalas pra onde meus versos escorrem e se escondem.

AlexSandroBambiL

Os opostos...


Eu paixão
Ela poesia

Eu inverno
Ela primavera

Eu elucubração
Ela perfeição

Eu rocha
Ela diamante

Eu cappuccino
Ela café

Eu frio
Ela chuva

Eu passado
Ela pretérito mais-que-perfeito

Eu escrevendo
Ela deslendo

Eu moleque
Ela moça

Eu tela
Ela tinta

Eu Coca
Ela suco

Eu ogro
Ela fada

Eu lágrima
Ela sorriso

Eu tempestade
Ela neblina

Eu guitarra
Ela violão

Eu plebeu
Ela nobre

Eu brisa
Ela vento

Eu reticências
Ela vírgula

Eu palavra
Ela rima

Eu sustenido
Ela bemol

Eu mar
Ela farol

Eu abelha
Ela flor

Eu sempre ela
Ela sempre em mim... sempre.

AlexSandroBambil

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Rosa


  
"Não me importo em me rasgar em teus espinhos, desde que seu perfume se apegue a mim."
(Alex BambiL)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Embrace

(Retiro Jovem no Acampamento Betânia)

sábado, 1 de agosto de 2009

Foto: Alex S.B. de Lima
"Tua fineza, ternura, poder, harmonia, misericórdia, e acima de tudo amor... obra de tuas mãos, meu Senhor, meu bom pastor... o supremo criador, e sem Ti nada se realizou" (Ministério Trio)

Foto: Alex S.B. de Lima

"Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede: Procure ser árvore" (Manoel de Barros)

Fall

Foto: Alex S.B. de Lima - Vista dos fundos do Acampamento Betânia

Foto: Alex S.B. de Lima - Honestamente, não sei o que é nem para que serve, está no barranco do rio Aquidauana, e pensei que daria uma foto legal xD

Apocalyptica

Foto: Alex S.B. de Lima - Vista de uma das torres da Igreja Matriz em Aquidauana-MS

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Queda Livre



"As nuvens podem esconder uma estrela, mas elas passam e a estrela fica."
-
Lucas Vauvenargues

Uns prelúdios de inverno, tudo tão denso no ar que respiro... a graça do bom perfume que te acompanha parece desenhar e desdenhar de qualquer beleza terrestre.

Preso, caindo em queda livre...

Esculpi as nuvens mais brancas com as formas do teu sorriso estrela, e as mais cinzas semelhantes aos dias de tua ausência... enchi uma garrafa com meus versos, e saí bebendo.


Alex Sandro Bambil de Lima

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Resfriado

"No coração do inverno, a única folha no ramo luta contra o vento" (Stefan Theodoru)

Foram as canções dos verões,

A graça das estrelas azuis.

Na ironia de um inverno vão-se as ilusões,

Que graça há em tanto frio que cobre a luz?

O inverno é tão efêmero que dele não protejo mais,

A máscara é mais fria que um frio de noite sem estrela brilhando.

São mortas reminiscências vivas que cortam como o vento o que era paz.

Uma estrela se apaga e de madrugada fico juntando...

Como as plantas murcham sem reclamar,

Derrete, congela a cada golpe frio um coração a morrer,

Como as aves que voam cantando rasgando o ar,

O inverno era alegria, mas nele não há, apenas inverno torna a ser.

Alex S.B. de Lima

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pé de Guerra, Mão de Deus

"Precisamos ser pacientes, mas não ao ponto de perder o desejo; devemos ser ansiosos, mas não ao ponto de não sabermos esperar" (Max Lucado)

Não há o sentimento de estar vivendo no tempo errado, mas sim de viver erroneamente neste tempo. Daí há a esperança de alcançar este lugar que está em algum tempo, já que me parece que este às vezes não é o meu lugar, contudo, percebo que não há muito tempo.
E pensei em tudo isso desordenadamente enquanto a chuva caía naquela manhã sonolenta e nublada de domingo, enquanto os sons do centro da cidade e das portas do comércio subiam com seu grunhido metálico. E os passos rápidos passavam, os pássaros passavam, os carros passavam, o sono passava, a raiva passava e a chuva ia passando enquanto na minha mente se passava o quanto esta existência é efêmera, e de como tomar nota destas lucubrações matinais não faz nada passar e não me traz soluções lógicas e muito menos práticas.
Se eu passo pelo tempo ou o tempo passa por mim, o pouco que sei é que não disponho muito dele, e que muitas outras gerações que pisaram o mesmo chão que hoje piso, deixaram seus potenciais debaixo dele.
Por isso tento não me importar com o descaso, a perfídia e a soberba da vida que torna homens simples em Calígulas.
E ao chegar a casa, enquanto procurava algo doce para comer na cozinha e minha esposa recebia a visita na sala, ouvi a chuva caindo súbita, porém suave e abundante, e então abri a porta dos fundos e saí sem me importar com as gotas d´água que mergulhavam no meu copo de leite com achocolatado em pó; sem me importar em encharcar meus sapatos, meus cabelos, meu relógio e minha alma na chuva enquanto percebia que meu cansaço, frustração e desânimo gerados pela frieza dos relacionamentos e pelo capitalismo que não se importa com a minha dor de cabeça, são pequenos demais diante da mão que traz a chuva, faz cair as mangas pelo chão e enche meus pulmões com cheiro de terra molhada.

Alex S.B. de Lima


Limitado




"O sofrimento é um megafone, é Deus pra mim gritando que eu não sou o Super-Homem." (Marco A. Afonso)



Eu queria compor notas novas.
Eu tentei escalar este monte.
Queria rimar estes versos,
Ser brasileiro, correto, discreto.

Queria lembrar da música que sonhei.
Queria continuar aquele sonho,
Na verdade, queria dormir, fugir
E redescobrir como se faz rir.

Queria mudar o mundo, meu mundo,
Meu curso, meu caso, meu descaso,
Fotografar o acaso. Cheirar a água,
Deitar em nuvem, abraçar árvores e o vento,
Tocar o coração do Criador e respirar fundo,
Pisar a cama e deitar na grama.

Conter na mão um som de trovão grave e gentil
Que precede a sede de uma chuva sutil.
Queria contar algo que não fosse de mim,
E, ainda assim, queria que não tivesse fim.
Queria o som do trovão para expulsar a água salgada dos olhos;
Mas assim como o verbo, como a canção, como o verso,
Ela não ficou tudo como eu queria.


Alex S.B. de Lima


Planejando ser Humano

"aquEle que era maior que o univrso tornou-se um embrião microscópico. E Ele, que sustém o mundo com uma palavra, escolheu depender da nutrição de uma jovem". (Max Lucado)



Escrever sobre ele não é fácil, acredito que nunca foi. Mais fácil é escrever sobre o tempo, poetizar estações, meus achismos, devaneios, contradições que se debruçam sobre poemas no lixo, sentidos extremos, medianos que têm flores ou nuvens de chumbo como fundo.


Talvez mais fácil fora a quem comeu com ele, deitou em seu peito, ou sentiu suas mãos divinamente humanas derrubando escamas dos olhos.


Difícil definir limitadamente quem é ilimitado, mais fácil sobre mim pois tenho limites, e acredite, ele escolheu morar num lugar limitado. Difícil porque aquele que se reduziu a homem sem deixar de ser Deus, e planejou ser totalmente humano, ainda assim, não se define em letras.




Alex S.B.de Lima








Academês que passa.

"Quem vê cara não vê o que só Deus pode ver" (Bp. Zé Bruno)
Era professora universitária respeitada, exercia a profissão havia 13 anos, daquelas que falavam pausada e perfeitamente a nossa língua portuguesa, "macaqueando a sintaxe lusíada" com esmero em cada palavra proferida com os olhos firmes por cima dos óculos que viviam na ponta do nariz. Seu andar nos corredores daquele universo pensante da sociedade era tão firme e decidido que parecia um metrônomo.
Certa manhã recebera a notícia de que viria para a turma onde ela lecionava um acadêmico que vinha transferido da cidade de Pantuana das Cuidas, o rapaz vinha precedido de uma fama sem precedentes (!). Notas excelentes, músico, cronista, poeta, havia ainda quem dissesse que tentou envolver-se com política a fim de lutar pelos direitos do povo de Pantuana, seus professores disseram
que o rapaz era um tanto estranho, mas era educado, escrevera peças
teatrais, era leitor voraz, pregava a igualdade, batalhava por melhorias no sistema de educação, enfim...
De tanta emoção diante do bilhete que estava sobre sua sisuda mesa com as recomendações sobre o rapaz, a professora Mestra ignorou um outro recado que também ali estava e saiu contente, estava próximo a hora de iniciar a aula, já andava rumo à sala de aula, pensando em como usaria este primor de rapaz para quem sabe despertar um certo interesse, um ciuminho que fosse naquele "bando de academicos desleixados" que possuía, como costumeiramente dizia a seus colegas daquela faculdade periférica e caipira.
Durante a aula, enquanto falava de operadores argumentativos e outros bichos que causam dores nos adjuntos abdominais, foi interrompida por leves três batidas na porta, ela com ar de enfado e irritação por ser interrompida abre a porta e logo se desfaz suas feições de megera. Estava diante dela um rapaz polido, bem vestido, de boa aparência, que timidamente perguntou se poderia entrar para assistir aula, mais tímido ficou por ser recebido efuzivamente pela professora que mal saindo da porta mostrou o rapaz para a sala e disse que aquele seria o novo colega, que a classe teria muito o que aprender com ele, e que, a partir daquele momento ele seria seu monitor, auxiliar, que era de alunos como estes que aquela cidade precisava, dedicados, inteligentes, aplicados, fazedores de qualquer trabalho de duas páginas e, em meio a tanta rasgação de seda, a secretária abre a porta, diz a professora que ela não leu outro bilhete que havia sobre sua mesa que dizia que um outro rapaz havia de entrar em sua classe, dois, num só dia. A professora repara que a secretária está acompanhada por um "bicho-grilo", cabeludo, sandálias de couro, barba por fazer, uma camiseta do Jimmy Hendrix com a marca do varal e uma mochila magra, sorridente, ele estende a mão para a professora e diz:
- Prazer, sou seu novo aluno, que veio de Pantuana das Cuidas.
Alex S.B de Lima

terça-feira, 2 de junho de 2009

O rato e o Gato Caolho

"Nunca a
verdade ajuda a sofrer menos". (
Jean Rostand)

O rato surpreende o gato caolho (tudo bem, deveria ser o contrário), e num misto de profunda admiração, receio, medo e desejo de se aproximar diz:

- Oi – deixando seu “oi” deslocado no ar.
- Oi – responde o gato ainda sem entender tal atrevimento.
- Você gosta de livros?
- Sim.
- Hum...
- O que foi com teu olho?
- A vida me feriu.
- Que pena!... – após uns quinze minutos de sepulcral silêncio o rato prossegue:
- Tens uma pelagem bonita, posso passar a mã...
- Não! – o gato recua.
- Desculpe, eu só queria... perdão... tenho te observado, parece tão inteligente, és tão belo e...
- Por favor! - interrompe o gato - deixe de ironias!
- Não são ironias! Por que és assim? Acaso é o que fizeram com teu olho? É a vida? Eu posso ajudar, permita-me te ajudar e fazer com que veja como és belo, e como a vida é bela, eu tenho o remédio...
- Mas ratos trazem doenças!
- É... eu posso ser o remédio e o veneno, diz o rato envergonhado.
Deparado com sua fragilidade, o gato aos poucos e com muita resistência se permite ser ajudado e diz ao rato.
- Obrigado por me ajudar, mas, convenhamos, isso não o torna menos rato – e se vai embora.
O rato também se depara com sua fragilidade e limitação, e ali fica.
Alex S.B de Lima

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Descrevaneio


A perfídia que se esconde em meu heteronômio me assombra,
Me assusta por ser charmosa,
Não por ser bela.

E quando esse sangue passa mais quente pela artéria,
Eu escrevo,
Me incomoda,
Me esfarela.

E cada má intenção sufocada vira tinta,
Carregada do mal das palavras que eu mesmo juntei.

Confesso, padeço em versos,
Em desventura submerso
No vão que inventei.

Alex Sandro Bambil de Lima

O Coveiro

Foto: Blog Tinta China - O blog da GRAFAR

Estava já havia uma hora na prazerosa atividade da leitura, lendo e deslendo sobre nada, e este nada lhe pesava as pálpebras. Furtivamente levantou-se e foi molhar o rosto na tentativa de afugentar de si o sono sorrateiro, fruto do cansaço que vem de noite; voltou com um ar renovado, até parecia que trocara as vestes, retornara com mais afã ao esconderijo do coveiro.
Fiquei no silêncio sepulcral das páginas corroídas e amareladas, entre ácaros e velhas traças, sob o olhar mórbido do coveiro bibliotecário. Levantei-me e, como não possuía naquela noite objetivos de leitura claros nem a mim mesmo, fui ao coveiro perguntar sobre um livro grande de fotografias pantaneiras que há muito não o via e, ele, com aquela vagarosidade spleen, parecendo “O Corvo” do Poe recitado à meia-noite no inverno, chovendo, com alguma música arrastada do Type O Negative de fundo musical, após um olhar para a pilha de livros que estava a sua esquerda, respondeu:
- Não está aqui, com aquela voz de mordomo sinistro do castelo; uma voz grave, porém fraca; era calvo, vivia com os óculos na ponta do nariz, era dono de um olhar lento, olhos de ressaca – por favor, sem dúvidas machadianas. Aqui refiro-me a ressaca de porre mesmo – contudo, nada escapava daquele olhar naquele ambiente de sussurros, intelectualidades, silenciosas leituras, ociosas leituras, sede de saber, pseudo-intelecualidades e lirismos comedidos.
Retornei com o livro de algum autor defunto nas mãos, decepcionado com o descaso do coveiro, eu estava, na verdade, fugindo de uma aula que me causava dores nos adjuntos abdominais; ao olhar para a janela do oráculo, com a alma alhures, fiquei a imaginar como seria se Gustavo Azuaga e eu tivéssemos, há algum tempo atrás, jogado aquele gato preto pela janela da biblioteca.
O plano era perfeito, o corredor estava solitário e o gato tinha o tamanho ideal para passar pela fresta da janela e cair no meio das grandes mesas de leitura. Porém, a poucos momentos da execução do plano, um vulto aparece acendendo um cigarro sabor câncer. Era ele: o coveiro, que aparecera em meio a fumaça do próprio cigarro; aquela fumaça lenta, como ele, parecia conhecer nosso intento de romper o silêncio e a harmonia no oráculo do universo pensante da sociedade.
Era o equilíbrio e a desordem, a teoria do caos bem ali. Todos ali, até a fumaça sabia a traquinagem academicista que estava por vir, ouso pensar que até o gato sabia, mas ficou tudo bem para o bichano, o coveiro jogou terra em nossa molecagem.
Fiquei escrevendo ao redor do sangue, lutando com palavras, imaginando crônicas, contos, romances, pensando em milhares de coisas que poderiam (ou não) serem feitas naquele momento, numa terrível dúvida digna de asno de Buridan, porém permaneci lendo e deslendo sobre nada, sob o olhar do coveiro bibliotecário, enterrando tesouros de reminiscências e tapando as covas que outrora eu mesmo cavei na alma.

Alex Sandro Bambil de Lima


Flores e Horrores




Ponta de caneta fere a pétala que era flor,
Planta rubra com sangue de espinho e dor.
Ver com languidez no olhar o céu toldar,
Todo cinza chumbo num segundo encharcar.

Vendaval envolve veias em vão,
Capcioso vento revolve poeira.
E a voz se vai sem canção,
Sorrindo na ironia ligeira.

Friamente frio foge do fogo;
E o inverno é tão bom quando escurece de novo.
Silêncio acalma devagar e a alma divaga,
É como vinho: é doce, mas embriaga.

Ponteiros vagarosos enferrujados,
Em ferros afiados desafia.
Música e momentos, pensamentos alados.
Dos horrores, de todas as cores flores faria.



(Alex Sandro Bambil de Lima)